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domingo, 24 de maio de 2009

Sinceros e falsos

"O que é pior: a máquina de promoção por trás de um fenomemo declaradamente comercial como os Jonas Brothers ou a suposta ética indie de fenômeno-de-internet (sei...) do MGMT, na verdade a grande esperança branca da multinacional do entretenimento Sony para fisgar a garotada indie e 'contra o sistema'?

O que você prefere: o sonzinho abertamente limpo e cheirando a talco do McFly ou uma embusteira oportunista como Lily Allen (outro fenômeno-de-internet-sei...), a maior desproporção entre talento e sucesso do pop recente?

O que é mais honesto: as Spice Girls, que arrebentaram nos anos 90, bonitinhas, cantando canções compostas por caras experientes que nunca deram bola fora, ou a Mallu Magalhães, toda "ingênua" e "folk" (sei...), mas, ao mesmo tempo, colando sem pestanejar em qualquer logomarca que acene com um bom dinheirinho?"


Trechos de Álvaro Pereira Júnior alimentando dúvidas na coluna do "Escuta aqui" de 18 de maio de 2009, na Folha de S. Paulo.

domingo, 28 de dezembro de 2008

A Vingança dos Baldes Chutados #327

Algum desavisado que chegue agora e veja esse pobre blog assim, abandonado por quase todo o ano, pode até pensar que em 2008 esse traste tenha, finalmente, jogado a toalha, resignado-se a virar mais um trabalhor de vida amena. Ah, mas não. Para a tristeza de minhas entranhas, não foi assim.

Estive ocupado. Notivaguei com as mãos por demais atadas a copos americanos e bitucas variadas para brincar de escrever. Precisei de tempo para alimentar paranóias e me inebriar em tragos secos. E, acima de tudo, dediquei-me fielmente à minha sagrada missão de degustar toda música que existe nesse mundo.

E mais. Graças à bondade dos amigos, até convites para discotecar na noite recebi - com alguns bons momentos, inclusive.

Por outro lado, o estimado pinto continuou apaixonado, acalentado pelas mulheres do reino da fantasia. Recatado, humilde. Trazendo-me, sempre que invocado pelas trombetas do ímpeto, o sorriso das torpes alegrias.

O caso é que tive pressa e não digeri. Depois, tive ressaca e não escrevi. Assim, sinto-me melhor culpando a rebordosa - e a querida preguiça - por meu descaso por cá. Porém faço agora, na última fagulha de vida do ano, uma luz de justiça.

2008 foi o ano que senti em definitivo o desvario da paulicéia e confirmei o valor de algumas amizades. Vi, ainda aos 25 anos, um Bob Dylan afogado na rouquidão conseguir desfigurar clássicos sem perder o encanto mitológico, e quase me fazer chorar. Comprovei a genialidade melódica de Josh Rouse - para mim e um amigo, dono do melhor show do ano. Testemunhei Jesus voltar à vida para abalar o Planeta Terra. Acompanhei Mallu Magalhães sair da condição de adorável e amadora ninfeta da internet para virar uma insuportável e ultra-explorada celebridade circense presa nas redes do mau gosto popular. Além de muitos outros shows, como sempre. E, para finalizar, chego ao fim de dezembro com um ingresso em mãos para a lendária apresentação nacional do Radiohead.

Não digo que o ano foi bom, muito menos ruim. Foi só mais um que se encerra com um rastro de baldes tombados. E, como troco, recebo de presente um estômago revirado pelos excessos, atacado por uma dor incógnita que vem esfaqueando minhas vísceras há tempos e, pelo jeito, acompanhar-me-á para além do reveillon. Muito compreensível e nada injusto.

Mas ventre podre não é nada. Difícil mesmo é ver mais de cem minutos de Anna Karina em Pierrot Le Fou sem passar mal do coração, como tentei fazer agora há pouco pela décima vez.
Quantos anos se passarão até que eu acorde desse sonho masoquista?

sábado, 9 de fevereiro de 2008

Depois daquele beijo...

Mallu Magalhães é a febre do momento no myspace. No esplendor de seus 15 anos, essa princesinha paulistana já mostrou que dá pau em muito marmanjo metido a artista por aí. Apesar do amadorismo natural à idade e a aparente timidez com a badalação da fama precoce, Mallu mostra-se uma talento de estilo feito. Já interpreta com sentimento e ainda compõe belas melodias pop, em inglês perfeito.

Sua brincadeira começou já na infância, quando resolveu parar com a boneca pra ensaiar baladas no violão. De lá pra cá a coisa foi criando contornos mais sérios e não demorou pra surgir suas próprias canções. Há mais ou menos um ano atrás, a bichinha ganhou uma grana de seus pais e não vacilou: foi logo torrar a grana em um estúdio. Alistou uma banda de acompanhamento e gravou quatro ensolaradas músicas no melhor estilo folk tchururu.

O resultado disso foi o sucesso quase instantâneo entre os antenados e o convite pra fazer sua primeira apresentação, no Clash Club, badalada casa de São Paulo, abrindo o show do Vanguart - a banda mais lambida pela impresa paga-pau do ramo. Pouco depois já era capa nos cadernos de cultura dos maiores jornais do país e aparecia em matérias na TV.

Na última quinta, ela foi tocar no Milo Bar e fui ver com dois amigos. Antes do show, ela passeava entre o público e passou do nosso lado de repente. Foi quando cruzamos os olhares e fiz ela parar pra ouvir a idiota frase "aê, Mallu! Curto seu som". Simpática, ela agradeceu meio embaraçada e emendou um abraço e beijinho. Era realmente linda, chegou a dar batedeira. Acabei esquecendo tudo que queria falar.

Primeiro, tinha que explicar que nessa vida ninguém pode se meter a tocar folk só com Bob Dylan e Vanguart. Ela precisa de Neil Young. Outra coisa, queria saber se ela estava nervosa na apresentação na MTV ou o quê. Mal conseguiu trocar as notas no violão e aquilo me decepcionou pra caramba, quase desisti de vê-la ao vivo. Mas ficou nisso e ela voltou em seguinda pras demais paparicações.

O show? Foi muito bom. Claro, ainda é menina e demonstrou insegurança. Mas cantou muito, até músicas em português, provando que sua voz funciona de qualquer jeito. Enfim, é isso, paguei pau mesmo. E já aviso, me chamar de pedofilo é fazer pouco caso da minha paixão. "Essa aí eu espero madurar pra casar", como disse um amigo.

Nota: uma hora lhe chamei de canto e perguntei se conhecia Neil Young. Fez um jóia e soltou um "opa! Muito bom". Que belezinha, ainda nem sabe mentir e já faz música de gente grande.