domingo, 28 de junho de 2009

O Rei está morto. O imortal Michael Jackson morreu nesta quinta-feira, dia 25, em Los Angeles. Sua Majestade tinha 50 anos e sofreu uma parada cardíaca em sua casa de férias, falecendo logo depois de chegar ao hospital UCLA Medical Center. Em meio século de vida, este senhor construiu uma das carreiras mais influentes da história e deixa a vida como o maior astro da música pop de todos os tempos.

Gênio absoluto, Michael criou o conceito de artista performático completo. Revolucionou a indústria da música ao reformular a pegada do R&B, com estilo próprio de cantar, figurinos extravagantes e antológicos passos de dança. Por outro lado, teve a vida pessoal conturvada pela fama, perseguição midiática, bizarras transformações físicas e denúncias de abuso de menores.

O Rei do Pop nasceu no dia 29 de agosto de 1958, em uma família pobre da cidade Gary, no estado de Indiana, nos EUA. Já aos cinco anos, tomava sova do pai para ensaiar com seus irmãos no grupo Jackson Five. Seis anos depois, em 1969, quando o conjunto assinou contrato com a gravadora Motown, o caçula da família já despontava como líder e mais talentoso dos irmãos - era o ínico da fama, com clássicos como "I Want You Back", "ABC" e "I'll Be There". Na década seguinte, deu os primeiros passos para uma carreira solo paralela aos trabalhos com os irmãos, situação que manteve por muitos anos.

Em toda sua carreira, calcula-se que tenha vendido 750 milhões de discos. Em 1979, virou definitivamente astro mundial com o álbum "Off The Wall", sucesso embaldo pelos hits "Don't Stop 'Til You Get Enough" e "Rock with You". Mas chegou mesmo ao estrelado máximo com "Thriller" (1982), até hoje o disco mais vendido da história da música, com uma estimativa de 100 milhões de cópias em todo o mundo. De cara nova, narizinho empinado na plástica, emplacou as músicas "Thriller", "Billie Jean" e "Beat It" no topo das paradas do planeta e, de quebra, definiu a linguagem de video-clipe para sempre.

Nesse meio tempo, compos e gravou com várias celebridades o tema da campanha contra a fome na África "We Are The World", em 1985. No mesmo ano, decidiu investir na maior minha de ouro da música e comprou os direitos autorais dos Beatles, corroendo a amizade com Paul McCartney, que lhe havia rendido parcerias como "The girl is mine", em "Thriller".

Mais tarde, o ser reaparece de pele clara. Do nada. A culpa, segundo Michael, seria do tratamento da incurável vitiligo que o acometera, mas há quem acredite no ápice estravagante de astro que queria ser branco. Esquisito, como sansão sem madeixas, leite sem café, Michaal, branquelo, ainda trouxe vários outros sucessos no álbum "Bad" (1988) e conseguiu a marca de 25 milhões de cópias no mundo. Em 1992, lançou seu último disco de sucesso, "Dangerous", somando mais 30 milhões de cópias no currículo.

Daí pra frente, veio a decadência artística e pessoal. Em 1993 e 2005, foi acusado de abusar sexualmente de dois meninos, e os casos só saíram dos tribunais após acordos milionários. Em uma tentativa de abafar as acusasões de pedofilia, o astro chegou até a azular ainda mais o sangue, cansando-se com a princesa do rock
Lisa Marie Presley, em 1994. A união não durou nem dois anos. Depois tentou outro casamento excêntrico, agora com a enfermeira Debbie Rowe. com quem ficou oficialmente entre 1996 e 1999.

Para a surpresa de todos na época, o casal teve dois filhos, Prince Michael I e Paris Michael - só agora, com a morte do pai,
Rowe confessa que eles não foram concebidos pelo espírito santo, e sim por inseminação artificial com sémen de um doador anônimo. O cantor ainda teve um terceito herdeiro, Prince Michael II, gerado por uma mãe de aluguel que nunca foi revelada. Coisas de Michael.

Quebrado financeiramente e com a imagem arrasada, o cantor ainda lançou outros albúns para tentar saldar suas dívidas e reerguer a carreira, mas todos tiveram vendas muito abaixo da espectativa - "History: Past, Present and Future - Book I" (1995), "Invencible" (2001) e a coletânea "Number Ones" (2003). Ele também acabou vendendo muitos de seus bens e 50% do catálogo dos Beatles.

Trocando infância pela fama, Michael nunca amadureceu e mostrou-se nas últimas décadas um personagem frágil e abalado pela condição de astro eterno, cercado em um mundo de fantasias pra lá de pueris. A prova maior disso é a sua doentia mansão Neverland ("Terra do Nunca", em português, em alusão a Peter Pan), uma mistura de colossal rancho com parque de diversões e zoológico - que também teve uma boa parte leiloada.

Nos últimos tempos, vivia em reclusão quase absoluta e suas poucas aparições chocavam pelo estado cada vez mais deformado de sua aparência. Agora, com sua morte, como de costume, explode em todo o mundo a conciência súbita de sua incontestável contribuição. Michael sai da vida para virar simplismente uma divindade maioral, ao lado de Elvis Presley e John Lennon.

Veja abaixo a primeira vez em que o "moonwalk", seu
passo clássico, foi apresentado ao mundo, na festa de 25 anos da Motown, em 1983.

sábado, 6 de junho de 2009

Quem tem medo do Tetris?

Uns dos mais clássicos, populares e divertidos jogos eletrônicos de todos os tempos comemora hoje 25 anos de vida. Junto com Pac-man e Super Mario Bros, o Tetris forma o trio sagrado do vídeo-game. E, pra mim, ele é o mais foda dos três por ser simplesmente um quebra-cabeças dinâmico e infinito, que conquista sem apelo para gráficos, historinhas ou desenhos.

A pira é a agilidade de raciocínio para encaixar as variadas formas de “tretaminós” do melhor jeito possível. Nada mais que um exercício de organização geométrica e matemática. Falando assim parece algo medonho e estúpido, mas é genial de tão simples e pegajoso.

Esse ícone da cultura eletrônica foi desenvolvido na União Soviética, no período de 1984 a 1986, pelos engenheiros de informática do Centro de Computadores da Academia Russa das Ciências Alexey Pajitnov e Dmitry Pavlovsky e pelo estudante colegial Vadim Gerasimov, na época, com 16 anos.

“O jogo tem um tipo de espírito criativo ao invés da destruição que você encontra em jogos de tiro e na maioria dos outros títulos. Nele você cria algo”, compara Pajitnov. “Você pega o caos das peças caindo aleatoriamente e as coloca juntas em um tipo de ordem. Isso dá às pessoas um ótimo sentimento”, analisa o criador. Boto fé, Pajitnov. Boto fé.

Assim que alcançou os Estados Unidos, virou sucesso mundial e vendeu mais de 125 milhões de cópias desde seu lançamento. Novas versões seguem pipocando em todas as direções, com foco no mercado de computadores, celulares e consoles menores. “O desafio para nós é apenas continuar o crescimento da franquia”, diz o vice-presidente da divisão de aparelhos móveis da Electronic Arts, que detém os direitos exclusivos do jogo para a plataforma móvel.

Quem nunca passou horas quebrando a mente nesse jogo satanicamente hipnotizante? Eu já pirei muito, um vício agudo de ficar horas compenetrado, jogando uma partida atrás da outra, sempre na nóia de bater o recorde recém-batido - e socando o controle no chão quando não conseguia. E ali ficava até minha mãe decidir puxar a tomada.